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Vídeos que vazaram

Num dia desses eu estava em casa, sem nada pra fazer, e foi então resolvi fazer algo que costumo fazer quando estou ocioso: acessar o YouTube e assistir alguns filmes publicitários engraçados e vê-los à exaustão.

Já tinha assistido meia dúzia deles quando me lembrei do memorável comercial intitulado “dança do vazamento”, da Tigre. Digitei o nome e dei busca. Minha surpresa foi inevitável quando vi uma porção de vídeos caseiros parodiando a dança hilária. É um mais inútil que o outro. Entretanto, após ver alguns deles, comecei a refletir. Fiquei pensando na repercussão que esse filme teve no cotidiano das pessoas, por carregar um forte apelo humorístico. Quanta gente deve ter feito essa dança na escola, no trabalho, numa roda de amigos.

Se essas pessoas que postaram os vídeos fazem parte ou não do target da Tigre, isso talvez não importe. Se a aposta foi conquistar ainda mais share of mind e atingir altos índices de recall, o pessoal que roteirizou e produziu o filme acertou na mosca.

Assista, abaixo, ao filme original e, em seguida, os vídeos que levaram a dança ao pé da letra e vazaram na Internet.


Tietagem mercadológica

Todo publicitário – desde o maluco da Criação até o tiozão do Atendimento, passando pela moçinha da Mídia – tem uma agência preferida. E quando falo de agência preferida não me refiro àquela que o sujeito fica no batente diariamente, não. Trata-se das grandes agências, especialmente de São Paulo, detentoras de contas colossais e que por uma série de fatores – favoráveis, é claro – criam vez ou outra aquelas campanhas geniais, memoráveis, que a gente fica boquiaberto, perguntando-se “porque EU não tive essa idéia?”.

Pois bem, a minha Penélope Cruz das agências é a AlmapBBDO. Liderada pelo publicitário e colunável Marcello Serpa, a Almap é – pelo menos na minha opinião – a agência mais criativa do Brasil. E não digo isso só porque todo ano ela figura no topo do ranking das agências mais premiadas do mundo. Tudo isso é besteira. Gosto da Almap pelo fato de ela conseguir combinar o irreverente com o clássico, o simples com o sofisticado, o pertinente com o fútil. Talvez seja isso. Ou talvez não, sei lá. Até porque quando o assunto é Almap, a gente sempre é surpreendido novamente, e novamente, e novamente.

Fiquem, portanto, com alguns dos meus filmes prediletos.

 

 


Recordar é viver

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Para ver outras peças da Benetton, fazer downloads e ter acesso a press releases das campanhas, clique aqui.


Ainda me surpreendo com a criatividade de algumas pessoas

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Para refletir II

 ”Não sofremos de falta de comunicação.
Ao contrário, sofremos com todas as forças
que nos obrigam a nos expressar
quando não temos grande coisa a dizer”.
(Autor desconhecido)

“… a sociedade contemporânea é uma permanente guerra pela conquista do olhar.”
(José Geraldo Couto)

“A nitidez é uma conveniente distribuição de luz e sombra.”
(Goethe)

“A cor é a música dos olhos”
(Goethe)

“Os negócios estão percebendo que chegar mais perto do cliente significa mais do que ganhar proximidade. Significa também se conectar e trocar informações.”
(Regis McKenna)

“Conectar computadores é um trabalho. Conectar pessoas é uma arte.”
(Eckart Wintzen)

“Mentes criativas sempre sabem sobreviver a qualquer tipo de mau treinamento.”
(Anna Freud)

“Criatividade consiste no total rearranjo do que sabemos com o objetivo de descobrir o que não sabemos.”
(George Kneller)

“As páginas mais belas de um texto são aquelas em que todas as letras compõe uma unidade em perfeita harmonia.”
(Adrian Frutiger)

“Afinal, as letras compõem a palavra apenas para transmitir ao outro nossos sentimentos e nossas idéias.”
(Radha Abramo)


A eterna contradição

Eu, etiqueta

Em minha calça está grudado um nome

que não é meu de batismo ou de cartório

um nome… estranho

Meu blusão traz lembrete de bebida

que jamais pus na boca, nesta vida.

Em minha camiseta, a marca do cigarro

que não fumo, até hoje não fumei.

Minha meias falam de produto

que nunca experimentei

mas são comunicados a meus pés.

Meu tênis é proclama colorido

de alguma coisa não provada

por este provador de longa idade.

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro

minha gravata e cinto e escova e pente

meu copo, minha xícara

minha toalha de banho e sabonete

meu isso, meu aquilo,

desde a cabeça aos bicos dos meus sapatos,

são mensagens,

letras falantes,

gritos visuais,

ordens de uso, abuso, reincindência,

costume, hábito, premência,

indispensabilidade

e fazem de mim homem-anúncio itinerante

escravo da matéria anunciada.

Estou, estou na moda.

É doce estar na moda, ainda que a moda

seja negar minha identidade,

trocá-la por mil, açambarcando

todas as marca registradas,

todos os logotipos de mercado.

Com que inocência demito-me de ser

eu que era antes e me sabia tão diverso de outros, tão mim-mesmo,

ser pensante, sentinte e solidário

com outros seres diversos e conscientes

de sua humana ,invencível condição.

Agora sou anúncio,

ora vulgar, ora bizarro,

em língua nacional ou em qualquer língua

(qualquer principalmente).

E nisto me comprazo, tiro glória

da minha anulação.

Não sou – vê lá – anúncio contratado.

Eu que minuciosamente pago

para anunciar, para vender

em bares festas praias pérgulas piscinas,

e bem à vista exibo esta etiqueta

global no corpo que desiste

de ser veste e sandália de uma essência

tão viva, independente,

que moda ou suborno alguma compromete.

Onde terei jogado fora

meu gosto e capacidade de escolher,

minhas idiossincrasias tão pessoais,

tão minhas que no rosto se espelhavam

e cada gesto, cada olhar,

cada vinco da roupa

resumia uma estética?

Hoje sou costurado, sou tecido,

sou gravado de forma universal,

saio da estamparia, não de casa,

da vitrine me tiram recolocam,

objeto pulsante mas objeto

que se oferece como signo de outros

objetos estáticos, tarifados.

Por me ostentar assim, tão orgulhoso

de não ser eu, mas artigo industrial,

peço que meu nome retifiquem.

Já não me convém o título de homem,

meu novo nome é coisa.

Eu sou a coisa, coisamente.

 

Carlos Drummond de Andrade


Para refletir

“Idéias todo mundo tem. Como é que entram na cabeça da gente? Entram porque a gente lê, observa, conversa, vê espetáculos.”
(Ruth Rocha)

“Criatividade consiste no total rearranjo do que sabemos com o objetivo de descobrir o que não sabemos.”
(George Kneller)

“A plenitude da atividade humana é alcançada somente quando nela coincidem, se acumulam, se exaltam e se mesclam o trabalho, o estudo e o jogo; isto é, quando nós trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, tudo ao mesmo tempo. (…) É o que eu chamo de “ócio criativo”, uma situação que, segundo eu [penso], se tornará cada vez mais difundida no futuro.”
(Domenico de Masi)

“A menos que a sua campanha contenha uma Grande Idéia, ela passará despercebida como um navio à noite.”
(David Ogilvy)

“Sim, vosso anúncio deve fazer barulho para ser notado, porém não um barulho insensato.”
(William Bernbach)

“Criatividade é _ de concreto_ um vocábulo de 12 letras (10, em inglês). Já seu conteúdo (o ‘repertório’ que brota desse vocábulo, dessas letras) estende-se, em Propaganda, a qualidades que vão muito além da facilidade de se inventar títulos intrigantes ou ilustrações surpreendentes.”
(Roberto Menna Barreto)

“A simplicidade é o último grau de sofisticação.”
(Leonardo da Vinci)

“Uma imagem vale mais do que mil palavras. Vai dizer isto com uma imagem.”
(Millôr Fernandes)

“Se alguém varre as ruas para viver, deve varrê-las como Michelângleo pintava, como Beethoven compunha, como Shakespeare escrevia.”
(Martin Lutter King Jr.)