Destaques

domingo, 11 de dezembro de 2016


No dia 10 de dezembro de 2001, 'O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel' chegava aos cinemas americanos. O primeiro filme, que deu início à trilogia que levou 17 oscars de 30 indicacões, faturou mais de 870 milhões de dólares no mundo inteiro, sendo a segunda maior bilheteria de 2001, perdendo apenas para Harry Potter e a Pedra Filosofal. 
Mesmo não sendo tão fiel aos livros de  Tolkien, a trilogia de Peter Jackson agradou a fãs e críticos (diferente da trilogia O Hobbit). Os três filmes foram gravados simultaneamente e as gravações levaram dois anos para serem concluídas. A última parte - O Retorno do Rei - lançada em 2003, foi o primeiro filme de Fantasia a levar um Oscar de Melhor Filme. Nomes como Ian McKellen, Christopher Lee, Hugo Weaving e Orlando Bloom integraram o extenso elenco dos filmes de Peter Jackson
O filme, que mistura elfos, magos, anões, hobbits e homens, consegue trazer para a tela a magia e o amor de Tolkien pela natureza, pela família, a lealdade e a determinação. Com uma belíssima história, que se ramifica em várias direções, abrindo portas para teorias e referências (nunca alegorias), a obra se destaca até hoje entre as grades obras cinematográficas de nosso tempo.
Os direitos dos livros O Hobbit e O Senhor dos Anéis foram cedidos quando Tolkien ainda estava vivo, então, provavelmente, não haverá mais nenhum filme da Terra-média, já que a família do professor retém os direitos de suas outras obras de fantasia.

Curiosidade: Os atores que interpretaram os membros da Sociedade do Anel tatuaram, em élfico, a palavra "nove" em algum lugar do seu corpo.


Assim como os livros, o mundo está dividido entre quem assistiu e quem não assistiu ao 'O Senhor dos Anéis'.
Obrigado, Tolkien. Obrigado, Peter Jackson.

sábado, 10 de dezembro de 2016


Como já dizia Drake e Future: what a time to be alive (que tempo bom pra estar vivo). Meus ouvidos que o digam. O ano de 2015 e 2016 foram desastrosos em muitos aspectos, mas não na música. Os nossos ouvidos têm muito o que agradecer. Tem sido uma festa de diversidade, criatividade e sonoridade. Para terminar o ano com chave de ouro, ganhamos um álbum inovador para a Black Music no Brasil. Se eu já estava sorrindo até as orelhas (e com as orelhas) com o novo videoclipe do Emicida, a festa só se completa com o novo álbum do Mano Brown.

O nosso racional mandou ver com o groove. R&B, Disco e Soul muito bem explorados com muita musicalidade. É possível ouvir todos os instrumentos, amigos. Isso é muito foda nesses tempos atuais. O álbum é dançante, bem construído em sonoridade, é romântico, faz referencias e cita interessantes de figuras,fatos icônicos e grupos étnicos negros (2Pac, Naomi Campbell, Donna Summer, Soul Train, Iorubá são alguns exemplos). É cantado, é rimado. Well, é fato que Mano Brown como cantor é um excelente rapper. Mas pode confiar que todas as partes cantadas estão afinadinhas. As vezes o timbre dele chega a soar como o do Seu Jorge. Os samples lembram os vocais do Tim Maia e Gerson King Combo. Uma vez ou outra aparece uma melisma pra fazer jus ao estilo.


A verdade é que é o tipo de álbum que você não precisa pular nenhuma música. Isso é muito raro até em álbuns americanos  (são poucos os álbuns que eu gostei de todas as faixas, na real). Eu ouço pianos elétricos, metais, guitarras, violões, contrabaixos, bateria, divisão de vozes com linhas melódicas interessantes (com direito a falsetes) e até flauta no álbum que contém samples de Stevie Wonder. Tudo muito bem groovado. Que qualidade (*emoticons de palmas*)!


É muito importante ouvir um álbum com essa qualidade sonora do Black em português. Como diz uma das letras do álbum: Flor do gueto é a estrela do meu show. Boogie Naipe é  a flor, é o gueto, é a estrela e também o show. Ouve ai e conta pra nós sua faixa preferida!


Shout out y'all.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016


Wassup Dudes and 'Dudas'? Estou um pouco atrasado com essa postagem. Mas estou feliz por finalmente fazê-la. Apesar de ter algumas sérias discordâncias com a nomeação  e a não nomeação de alguns artistas, é evidente que estou feliz de o Grammy ter avançado em algumas questões. Eu já bati na tecla diversas vezes sobre a exclusão de artistas negros nas principais categorias do Grammy. Artistas negros têm sido marginalizados em subcategorias em detrimento de artistas do blue-eyed soul (não vou dizer  apropriação cultural e saudosismo aos anos 60, quando artistas negros eram roubados e ignorados, prefiro falar disso em outro post). 

Pela primeira vez temos uma quantidade considerável de trabalhos negros concorrendo em categorias principais. Of course que não é por acaso. Muitos trabalhos com esse discurso foi lançado nesses últimos dois anos, muitos boicotes importantes como o do próprio Frank Ocean que lançou um dos melhores álbuns esse ano e não enviou para a equipe do Grammy justamente por considerar  essa questão que nós temos batido tanto na tecla #grammystoowhite.


Resultado disso tudo, o Grammy nomeou. A parada é que nomeação é um pequeno passo. Ainda acho que a equipe do Grammy não vai premiar negro nas principais categorias como aconteceu no ano passado com Kendrick Lamar, no ano anterior com Beyoncé, em 2013 com Frank Ocean e muitos anos anteriores. Vamos aos indicados as principais categorias:

Álbum do ano: (2 negros)

  • Adele – 25
  • Beyoncé – Lemonade
  • Drake – Views
  • Justin Bieber – Purpose
  • Sturgill Simpson – A Sailor’s Guide to Earth

Opinião: As escolhas foram bastante interessantes. Dois negros nessa categoria mas provavelmente nenhum deles vai ganhar. O álbum da Beyoncé é, mais uma vez, o mais consistente em todos os aspectos: composição, discurso, inovação e versatilidade musical. Mas, a menos que a equipe do Grammy esteja realmente disposta a reparar os erros que eles têm cometido com ela desde de 2009 e com os negros ao longo da história da premiação, é bem provável que o prêmio vá para Sturgill Simpson (pra não puxar saco de nenhum famosinho e fazer a linha conservador, tradicional e premiar um "desconhecido" internacionalmente) ou para Adele que cumpre com todos os requisitos da bancada "decididora". Feliz de ver Drake na disputa. 


Faltou: Com certeza faltou Blonde do Frank Ocean.


Gravação do ano (2 negros)

  • Adele – Hello
  • Beyonce – Formation
  • Rihanna – Work
  • Twenty-One Pilots – Stressed Out
  • Lukas Graham – 7 years

Opinião: Essa é uma categoria difícil. Nessa categoria é sempre comum uma música sucesso comercial e Top Billboard ganhar. Talvez Formation esteja na lista pela sua importância e alvoroço que  causou e toda a repercussão. É a música que não ficou muito tempo no topo das paradas de sucesso internacionais. Por outro lado temos "Hello" que bateu recordes de vendas mundo afora e alcançou o top ranking assim como "Work" que dominou as paradas em diversos países e é o chiclete que todo mundo gosta de dançar. Stressed Out e 7 years também são sucessos comerciais. Na minha opinião, levando em consideração extremo sucesso comercial e toda produção, Work deveria levar o prêmio. Porém, é bem provável que Adele vença essa batalha de nomes poderosos na música (duelo entre Beyoncé, Rihanna e Adele num é nada fácil; a decisão do Grammy vai deixar muito neguinho puto).


Faltou: One Dance do Drake. O maior sucesso comercial do ano até agora. Talvez Can't Stop the Feeling do Justin Timberlake  também.


Canção do ano (1 negro)

  • Beyoncé – Formation
  • Adele – Hello
  • Mike Posner – I Took a Pill in Ibiza
  • Justin Bieber – Love Yourself
  • Lukas Graham – 7 Years

Opinião: Essa categoria preza pela letra da canção. Os compositores são premiados aqui. Enquanto a Gravação do Ano é conjunto da  obra, aqui apenas a composição é analisada. Nesse quesito, Hello está um pouco à frente das concorrentes. Para os desinformados que falam que Formation não deveria estar concorrendo nessa categoria que analisa letra, peço que vá da uma estudada na cultura negra norte americana. As letras devem ser analisadas no contexto sociocultural em que elas se inserem. A indicação é justa sim. Porém, no meu palpite não vai levar.

Então essas são as principais categorias. Em breve farei um outro post falando sobre os "prêmios de consolação"... ops OUTRAS CATEGORIAS (foi mal, deixei escapar). Se meus cálculos estiverem certow, não vai ser dessa vez ainda que o Grammy vai se redimir com os black. Aliás, acho que até foi de propósito esse grande número de indicações de negros nas categorias principais (para falar que eles não são racistas porque indicaram e reconheceram, mas prêmio que é bom nada). 

Fala aí galera! Quem vocês querem que ganhe, que vocês acham que vai ganhar, quais suas indignações. Comentem aí. Shout out y'all!

domingo, 4 de dezembro de 2016

Imagem Ilustrativa.
Vou poupar esse texto de termos técnicos e uma recapitulação histórica acerca do racismo no Brasil e deixarei o espaço só pra manifestar uma indignação imediata. Pois bem. Por algum motivo, talvez pelas competências designadas à esse poder e a atuação sob as diretrizes da constituição, criamos a ideia de que o judiciário irá nos proteger a qualquer custo e garantir que nossos direitos sejam resguardados. Mas acho que devido aos acontecimentos recentes todo mundo aqui deve ter percebido uma coisa: que a justiça só funciona para homens brancos e ricos. Bom, isto é, a não ser que você faça parte da população cega pelo ativismo judiciário e enxergue o Juiz Sérgio Moro como o herói nacional que vai acabar com a corrupção do Brasil. Aham, senta lá.

Eis que nesta bela manhã de domingo acordo com uma notícia da Revista Fórum com a seguinte manchete:

Justiça manda funcionária que denunciou racismo tirar página do Facebook do ar.

Como acabei de acordar, demorei alguns minutos para processar o título da notícia e a primeira reação, por óbvio, foi perguntar "que merda é essa?". Queria que fosse uma manchete sensacionalista como tem acontecido muito de uns tempos pra cá na mídia brasileira. Mas não, é isso mesmo que vocês leram. Sintetizando a notícia Por Matheus Moreira linkada ali em cima, em outubro desse ano a advogada Luanna Teófilo denunciou um caso de racismo na empresa de comunicação onde trabalhava, no ocorrido em questão, a gerente teria a humilhado na frente de toda a equipe ao ordenar que Luanna, uma mulher negra, tirasse suas tranças.

Para quem não sabe, e muita gente claramente não deve saber, tranças não são mera tendência pra tombar nos rolês com o 'squad', como diria um editorial de qualquer revista teen que você encontra por aí. Muito pelo contrário, as tranças são um símbolo de resistência para a cultura negra, o que muitos enxergam como estilo, nós enxergamos como luta e reafirmação de identidade. E por que isso seria racismo? Ora não é óbvio? O RH está demitindo uma mulher única e exclusivamente por ela ser negra e estar reafirmando suas raízes ao trançar o cabelo. Quantas vezes você, mulher negra ou homem negro, não já escutou em uma entrevista de emprego que não se adequava ao perfil requerido pela empresa? Ou que até te contratariam, mas tinha que dar um jeito no cabelo.

Pois, ao contrário de muita gente que sempre deixa passar pra evitar a fadiga, Luanna denunciou a empresa. Acredito que tenha tomado todas as medidas legais cabíveis e além disso criou uma página no facebook intitulada "tira isso" para dar visibilidade à discriminação racial, já que ninguém ficou do seu lado (conta uma novidade pra gente). O que você, Luanna e qualquer pessoa com o mínimo de bom senso espera que o judiciário faça? Que responsabilize a empresa pelo racismo cometido pela gerente que humilhou uma mulher negra no ambiente de trabalho e que a justiça seja feita a favor da advogada, certo? N-o-p-e. O que o judiciário fez? Decidiu pela suspensão da página, já que ela gerou uma repercussão negativa para a empresa (e é que no nosso mundinho capitalista a honra da empresa vale muito mais que o nosso racismo institucionalizado de cada dia), sob a pena de multa de R$ 2 mil por dia que a página permanecer no ar após a decisão.

Agora venham aqui com a tia. Por que infernos a vítima de discriminação racial vira por danos morais? Como esse plot twist aconteceu? Hoje estou só o meme da garotinha da Panificadora Alfa disappointed but not surprised. Mas não é novidade um judiciário omisso e/ou conivente com práticas racistas e isso me frustra muito como mulher negra e mais ainda como estudante de Direito, como disse lá no início: justiça pra quem? Tirando aquelas decisões de grande repercussão midiática a comoção popular, na real estou começando a acreditar que são os únicos casos em que se procuram os responsáveis pra não ficar feio nas manchetes da grande mídia, sempre apertam o botãozinho do foda-se para os negros. Fico aqui só imaginando quantos casos parecidos já não passaram pelas mesas desses juízes e ficaram por isso mesmo, às vezes nem viram casos, porque a gente aprendeu a vida toda que "denunciar racismo nunca dá em nada, é melhor ignorar". Infelizmente, depois dessa e todas as outras vou ter que concordar: "a carne mais barata do mercado é a carne negra". É isso.

sábado, 26 de novembro de 2016


Primeiramente preciso pedir desculpas a todos os leitores pelo meu nível de pobreza que não permitiu fazer uma conta Premium no Spotify. Eu estava um pouco ansioso, além do limite da lei de direitos autorais e, vergonhosamente, tentei baixar esse álbum gratuitamente por aí. Até que o governo americano me mandou uma mensagenzinha dizendo que rastrearia  meu celular em razão das minhas buscas desesperadas pelo álbum.

Eu quase respondi para eles que era só um teste que eu estava fazendo para ver se a lei de direitos autorais funciona de com força aqui mesmo (vai que cola). O resultado disso foi uma espera de  30 minutos de propagandas do Spotify, mais 20 min de músicas sugeridas e não pude ouvir o álbum na ordem escolhida pelo cantor.

Mas o resultado foi interessante. A primeira música que eu ouvi foi “All I know “. Eu fiquei refletindo que se o Michael Jackson tivesse gravado um trap  soaria bem daquele jeito. E essa é umas das coisas que me  agradam muito no The Weekend desde quando eu ainda o conhecia como the little light fazendo parcerias. E claro que trap e Future se confundem. Logo depois eu ouvi Sidewalks”  e percebi porque eles let it shine. Veio aquele pensamento #minhapreferida do álbum. E eu ainda não tinha percebido que ela contava com o feat do Kendrick Lamar. Quando ouvi o rap então … #melhorfaixa

Mas o interessante do álbum na verdade é que ainda não consegui descobrir qual é a melhor faixa. O álbum é muito bem produzido. Uma ótima combinação de eletrônico com instrumentos e vozes reais que podem aparecer robotizados em horas oportunas. Consegui ouvir guitarras, contrabaixos e muitos sintetizadores. Não ouvi muitos metais, acho que foi um ponto não explorado pela produção. Os metais auxiliam muito bem a criar o ambiente musical que o álbum pretende.

A semelhança do timbre do The Weekend em certas regiões com o timbre do King of Pop não é a única coisa que nos faz lembrar de Michael no álbum. Tem bastante similaridade na produção do som e instrumental de certas canções que é parecem inspiradas propositalmente no estilo do artista como Rockin”  e Secreets”. As participações são interessantes, mesmo quando irrelevantes como a de Lana Del Rey.

O álbum tem um conteúdo sonoro bem pop, tem muito potencial de venda (e vai vender lógico porque o The Weekend já se tornou um Starboy) mas talvez o álbum não tenha vindo em bom momento dentro do cenário do Urban Contemporary/ R&B e Hip Hop. Esse foi um ano de trabalhos divisores de águas na carreiras de muitos artistas nesses ramos. Trabalhos com grandes mensagens de  ativismo político e social e com grande consciência sobre a realidade de minorias aqui nos Estados Unidos tais como Lemonade, The Coloring Book, A Seat at the Table, Blonde e Here. Outros trabalhos sem proposta ativista mas com conteúdos musicais extremamente inovadores  também foram lançados como The Life of Pablo e 24K Magic. A eleição de Donald Trump colocou mais lenha nessa fogueira.

Esse ainda não é um trabalho divisor de águas na carreira de The Weekend e nem é esperado que seja, afinal é seu terceiro álbum. E talvez por isso o álbum não vá tão bem nas premiações (o que não parece ser uma preocupação para a equipe do cantor, a julgar pela data de lançamento bem posterior aos prazos do Grammy).

Minhas sugestões de músicas são Attention, Sidewalks, True Colors, Die For You e All I Know. São minhas preferidas do álbum. E as suas? Escute o álbum e deixe suas sugestões ai though. Shout out y’all.