Sexta-feira, 05 de Setembro de 2008

 

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Há pouco mais de um mês, acabei de ler o livro “Privatização da cultura”, escrito pela taiwanesa Chin-Tao Wu, da Universidade College de Londres. A obra aborda o chamado “marketing cultural”, especialmente quando utilizado por bancos e empresas de cartão de crédito.

A verdade é que não conheço nenhuma instituição bancária que não tenha transformado a cultura num grande negócio. Mas este artigo não é uma crítica. Quando existe uma troca, ou seja, a promoção da empresa e, ao mesmo tempo, a valorização da arte, a atividade é válida e tende a beneficiar os dois lados.

Nesse contexto, aproveito para escrever sobre a Mostra Instrumental das Américas, promovida pelo Centro Cultural do Banco do Brasil. A atividade faz parte de uma série de eventos culturais promovidos pelo BB. O evento é realizado no Teatro do Centro Cultural de São Paulo, sempre às terças-feiras, em dois horários: às 13 e 19h. As apresentações se estendem até o dia 28 de agosto e os preços dos ingressos variam de R$3 a R$6.

Mesmo que a intenção do banco seja a de agregar valor à marca e associá-la à cultura e, de certa forma, à responsabilidade social, o evento acrescenta algo ao público. E não é apenas uma exposição voltada para um público seleto, já que os preços poupulares tornam possível o acesso de músicos e apreciadores das mais diversas classes sociais.

A Mostra reúne grandes artistas da música instrumental americana como os brasileiros Marcos Suzano e Paulo Moura e Cliff Korman, dos EUA. São atrações que vão desde as músicas tradicionais às de concerto e experimentais e que trazem ao público a diversidade de estilos como a salsa, jazz, tango, choro e outros gêneros musicais que retratam de diferentes formas as manifestações culturais do continente.

Mais informações sobre a Mostra podem ser adquiridas pelo website http://www.bb.com.br/ .

Coma. Beba. Experimente. Mude. Tente. Pense diferente. Enfim, “just do it”.

Vivemos hoje em um mundo vazio, de diferentes estímulos, sem emoção e sensibilidade. Aparentemente apresentados como valiosos conselhos, esses conceitos são parte de uma exacerbada estratégia para potencializar o ritmo de consumo, aumentando a demanda por novos produtos, serviços, sensações, tendências etc.

A propaganda mundial está focada no imediatismo. É claro que isso é perfeitamente compreensível. Afinal, uma das funções básicas da propaganda é vender. Isso é fato. Porém, não existe apenas a venda de produtos. Podemos vender também idéias, conceitos, atitudes, mudanças, filosofias de vida e, até mesmo, a própria vida.

É possível dizer que o consumidor moderno já está acostumado a ‘receber ordens’ e conviver com tantas mensagens imperativas. Isso, aliás, funciona muito bem. Essa técnica de criação já passou pelo crivo e é, comprovadamente, eficaz.

A questão é: onde está a propaganda que emociona, que faz chorar, rir e, principalmente, pensar? Onde está a propaganda que caminha e vai ao encontro da arte?

Quem não se lembra das memoráveis campanhas dos anos 80 e 90? Lembro-me muito bem do VT que mostrava um orelhão agonizando na rua, cercado por várias pessoas que, ali, presenciavam a sua morte. Naquela época, na cidade de São Paulo, os orelhões estavam sendo alvos de vândalos que, impiedosamente, quebravam todos os orelhões que encontravam pelo caminho. Maravilhosamente criado por Washington Olivetto, o comercial emocionou, tocou a fundo a população, sensibilizando até mesmo um bando de vândalos. Após a veiculação da campanha, os prejuízos da empresa de telefonia pública da época foram reduzidos significativamente.

Campanhas assim, que adotam uma linha criativa emocional, ficam, formam opinião, caráter e comportamento. Marcam toda uma geração que, como a minha, ainda lembram-se do primeiro soutien, do 752 da Vulcabrás do jingle que dizia Varig, Varig, Varig e do comercial da Revista Época, intitulado “Semana”.

Atualmente é tão raro encontrar campanhas assim que me lembro apenas de um recente VT do Greenpeace que usa como back ground e trilha sonora a música My Way, interpretada por Frank Sinatra. Sensacional, emocional, funcional, brilhante. Isso é arte, é propaganda.

Em um discurso como paraninfo de uma turma de universitários, Nizan Guanaes disse que Michelangelo não pintou a Capela Sistina por dinheiro. Foi em nome da arte. O fato é que o valor das pinturas, hoje, é incalculável. É impossível calcular não só o valor monetário, mas também o valor sentimental e o que ela representa para a humanidade. Naquela oportunidade, Nizan quis dizer que é preciso ter tesão em tudo o que fazemos e que o dinheiro importa sim, mas não é a razão de tudo. Na propaganda é a mesma coisa. Para quem vai ser um profissional de propaganda, acho fundamental pensar sobre isso.

É fundamental pensar que a propaganda é uma arte e nós, publicitários, somos artistas do mundo moderno. Somos responsáveis pela arte e profissionalismo na propaganda. Responsáveis por continuar criando estímulos vazios e sem criatividade ou emocionar, fazer rir, chorar, pensar e, é claro, verder. “Just do it'’.

Erick Cypriano - redator publicitário - erick@odyn.com.br

Logomarca

Pelo terceiro ano consecutivo, a Odyn Comunicação é a responsável pela identidade visual da FECIC (Feira Comercial e Industrial de Catanduva - SP). A agência recriou a logomarca do evento para a 19ª edição, que ocorre de 5 a 9 de setembro deste ano, no Parque de Exposições João Zancaner. A logomarca atual da feira foi criada pela agência em 2005 e, a cada ano, ela é remodelada, sem perder suas características originais. Neste ano, foram introduzidos elementos que direcionam para uma festa popular, como deseja a atual Comissão Organizadora, e mais cores passaram a acompanhar o azul, cinza e laranja que predominam na logomarca. As primeiras peças de divulgação da feira já estão prontas. Neste momento, a agência cuida do planejamento de mídia do evento.

 

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